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ALEX: Muito bom dia! O Receita de Saúde vai falar hoje sobre aneurisma cerebral, um problema sério que aumenta muito durante o inverno. Para conversar conosco e tirar todas as nossas dúvidas, convidamos o doutor Djalma Starling, que é neurocirurgião. Doutor, bom dia! O que é aneurisma cerebral?
DR. DJALMA: Aneurisma cerebral é uma dilatação de uma artéria dentro da cavidade craniana. Um vaso sanguíneo é como se fosse uma mangueira conduzindo o sangue para diversas partes do cérebro e por isso mesmo está sujeito aos problemas decorrentes dessa passagem de sangue sob pressão dentro dessa mangueira. Se existe algum ponto mais fraco nessa mangueira, esse ponto submetido aos batimentos da pressão sangüínea pode ir dilatando como se fosse um balão, chegando a ponto de romper, dando sintomatologia aguda.
ALEX: Quais pessoas estão mais sujeitas a ter um aneurisma cerebral?
DR. DJALMA: Na verdade o que se sabe hoje é que todos os fatores que predispõe à doença arterial são fatores que predispõem também a presença de um aneurisma cerebral. Inclusive o fumo, a arteriosclerose, a pressão arterial elevada, são fatores que complicam e que ajudam na ruptura dos aneurismas cerebrais.
ALEX: Existe mais de um tipo de aneurisma cerebral?
DR. DJALMA: Na verdade o aneurisma cerebral basicamente é isso, é uma dilatação da artéria num determinado ponto. Existem vários tipos conforme a configuração dele. Existem aneurismas que são realmente um balãozinho com colo bem definido, existem aneurismas sem colo definido, são dilatações mais largas, existem aneurismas que são dilatações da própria artéria... Existem aneurismas de vários tamanhos, desde aneurismas pequenos, que são os mais comuns, de três, quatro, cinco milímetros, até aneurismas muito grandes, acima de três centímetros, e que provocam inclusive sintomas como se fossem tumores cerebrais, de compressão do cérebro.
ALEX: Doutor, é verdade que o derrame cerebral acontece com mais freqüência no inverno?
DR. DJALMA: É. Isso estatisticamente é observado e todos os anos a gente vê que na época do inverno a incidência de hemorragias, de ruptura do aneurisma, aumenta, provavelmente relativo ao aumento das reações adrenérgicas no período de frio. Reação adrenérgica é reação de stress, é a reação de liberação de adrenalina no sangue, e isso provoca um aumento relativo da pressão arterial, predispondo à ruptura do aneurisma. Essa é uma explicação mais ou menos simplista é que é mais aceita hoje.
ALEX: Doutor, o que nós devemos fazer quando uma pessoa do nosso lado tem um derrame cerebral?
DR. DJALMA: Na verdade, não há nada de especial a se fazer, a não ser tomar os cuidados pra que ela não se traumatize com a alteração de consciência que possa ocorrer, mas o fundamental é leva-la imediatamente para um hospital ou um serviço médico onde ela possa ser atendida com todos os recursos pra diagnóstico e tratamento dessa patologia.
ALEX: Dr. Djalma, nós temos um ouvinte na linha que quer fazer uma pergunta para o senhor. Vamos ouvir.
OUVINTE: Meu nome é Jéferson, eu moro no Floresta, eu queria saber como é que a gente percebe que a pessoa está com hemorragia cerebral? Quais são os sintomas?
DR. DJALMA: O aneurisma cerebral, na maioria absoluta dos casos, é assintomático, ele só vem a ser sintomático quando rompe. A exceção disso são os aneurismas que crescem de modo muito grande, muito exagerado e dão sintomas de compressão de estruturas cerebrais subjacentes.
ALEX: Doutor, o que vai acontecer com uma pessoa que tiver um aneurisma cerebral, um derrame cerebral?
DR.DJALMA: Quando um aneurisma rompe, surge uma situação de urgência, uma situação séria, que é a hemorragia subaracnoidiana. A hemorragia subaracnoidiana é o derrame de sangue no espaço que existe entre as membranas que recobrem o cérebro e o cérebro. Isso provoca uma dor de cabeça aguda brutal, normalmente acompanhada de perda transitória de consciência e seguida de despertar com uma dor de cabeça extremamente grave, e algumas horas depois, uma reação meníngea, como as que ocorrem na meningite: a nuca fica dura, a pessoa não consegue encostar o queixo no peito porque a nuca fica rígida. Simultaneamente, podem ocorrer vômitos, convulsões pela irritação cerebral pelo sangue, e esse quadro, dependendo da intensidade da hemorragia, pode evoluir rapidamente para o coma e para a morte.
ALEX: Dr., a pessoa pode também cair e ficar completamente inconsciente?
DR. DJALMA: Não é incomum, e eu acho que todo mundo já teve uma experiência qualquer dentro do ambiente em que vive de pessoas que tiveram uma dor de cabeça súbita e que morreram antes de chegar ao hospital. Dependendo da intensidade do sangramento, isso pode ocorrer.
ALEX: Como que o médico faz o diagnóstico, doutor?
DR. DJALMA: O diagnóstico de uma hemorragia dentro da cabeça é feito, em primeiro lugar, com uma avaliação clínica adequada. Testar a parte motora, a parte de fala, fazer um exame neurológico adequado. E, sobretudo, na ruptura de um aneurisma, verificar se existe dor de cabeça, vômitos, e reação meníngea, quer dizer, a nuca está um pouco dura, o diagnóstico de hemorragia subaracnoidiana tem que ser colocado. E o que se faz nesse momento? Uma tomografia computadorizada, que é um exame rápido e eficiente. Um outro exame eventualmente utilizado é a punção lombar, pra verificar se o líquido da espinha está com presença de sangue, se está hemorrágico. Subseqüentemente, o paciente deve passar por um estudo angiográfico cerebral. Angiografia é o estudo das artérias e das veias cerebrais. Existem outros exames que podem ajudar muito no diagnóstico do aneurisma cerebral, um deles muito atual e que tem sido progressivamente mais usado é a angioressonância magnética, que muitas vezes evita a necessidade do cateterismo cerebral, é um exame mais recente e menos invasivo. E atualmente, existe um aparelho novo de tomografia, é a tomografia multi-slice, que está propiciando exames de alta qualidade das artérias cerebrais.
ALEX: Doutor, como é que é feito o tratamento pra quem sofreu um derrame cerebral?
DR. DJALMA: Esse tratamento pode ser feito de dois modos. Primeiro, por via endovascular, por dentro da artéria, através do cateter que a gente introduziu na artéria, e o outro tratamento que é clássico e já antigo é o tratamento cirúrgico. O tratamento cirúrgico deve ser realizado nos pacientes que têm condições clínicas. Ele deve ser realizado nos três primeiros dias após o evento hemorrágico porque o sangue em torno das artérias cerebrais provoca uma contratura das artérias, que a gente chama de espasmo arterial, que é um mecanismo de proteção do próprio organismo. Se houve uma ruptura, se há um vaso com um buraquinho, se a artéria contrair, teoricamente esse buraquinho vai fechar. Então se a gente operar o paciente depois do terceiro e antes do décimo dia, o manuseio da artéria pra gente poder dissecar e clipar esse aneurisma, vai aumentar de modo importante esse espasmo arterial, existindo um risco muito importante, muito significativo, de que esse vaso não deixe mais passar sangue pra sua porção distal, levando à morte do tecido cerebral que seria irrigado pelo vaso.
ALEX: O tema do nosso Receita de Saúde de hoje foi aneurisma cerebral. Quem conversou conosco foi o Dr. Djalma Starling, que é neurocirurgião e trabalha em Joinville. Dr. Djalma, muito obrigado pela sua participação aqui no nosso programa.
DR. DJALMA: Obrigado vocês.
ALEX: E o Receita de Saúde fica por aqui. Voltaremos amanhã com mais um tema de saúde que vai interessar a você. Até lá.
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