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ALEX: Muito bom dia! O programa de hoje vai falar sobre andropausa, que é uma espécie de menopausa masculina. O Receita de Saúde convidou o doutor Ricardo Simas, que é geriatra em Florianópolis para falar conosco sobre esse assunto. Bom dia doutor! Não são apenas as mulheres que, com o passar do tempo vão perdendo os seus hormônios. Os homens também sofrem bastante com esse problema. Doutor, explique para a gente o que é a andropausa?
Dr. RICARDO: Pelo termo, andropausa significaria a pausa ou interrupção na produção dos hormônios androgênios, que são os hormônios masculinos, cujo representante maior é a testosterona. Como esta pausa ou interrupção fisiológica não acontece no homem esse termo, muitas vezes, não é bem aceito pela classe científica. Usa-se hoje o termo internacional cuja sigla é PADAN e significa a diminuição androgênica progressiva associada ao envelhecimento. Como é um termo muito grande, na prática acaba-se usando ainda o termo andropausa. Mas que fique claro que não existe a interrupção fisiológica abrupta da produção dos androgênios como ocorre na mulher, na menopausa.
ALEX: E a partir de que idade começa a acontecer a andropausa no homem?
Dr. RICARDO: O processo de envelhecimento do nosso organismo se dá em todos os nossos órgãos e sistemas, inclusive nas glândulas. E as nossas glândulas vão progressivamente diminuindo a sua funcionalidade, ou seja, a produção dos hormônios, as quais se dedicam. Então a partir dos 30 anos a gente observa uma redução progressiva da diminuição dos androgênios pelo testículo. Mas os sintomas podem começar a aparecer em torno dos 50 anos. Algumas pessoas, ou alguns homens começam a apresentar mais precocemente e outros bem mais tardiamente, após os 70 anos de vida.
ALEX: E essa diminuição dos hormônios acontece em todos os homens ou não?
Dr. RICARDO: Ocorre. A diminuição da produção androgênica, ou seja, de testosterona, ela ocorre em todos os homens, porém, a velocidade e a intensidade dessa diminuição é que é variável de indivíduo para indivíduo. Tem indivíduos que têm baixíssimos níveis de testosterona já aos 40 anos e outros vão ter esses baixos índices de testosterona aos 80 anos de vida. E não só é variável à diminuição da produção desses androgênios, mas a sintomatologia é variável de indivíduo para indivíduo também.
ALEX: Doutor, essa baixa de testosterona que provoca a andropausa não tem nada haver com impotência?
Dr. RICARDO: Um dos possíveis sintomas da diminuição progressiva da produção de testosterona associado ao envelhecimento é a disfunção erétil porque a testosterona é responsável pelo desejo sexual. E também a função mecânica da ereção envolve a presença da testosterona. É lógico que envolve outros fatores mecânicos, mas um dos principais sintomas presentes na diminuição progressiva da produção androgênica é a diminuição da função sexual, chamada de disfunção erétil, antigamente chamada de impotência sexual.
ALEX: E tem haver também com a infertilidade?
Dr. RICARDO: A infertilidade não. Porque os dois sítios no testículo onde são produzidos a testosterona e o espermatozóide são diferentes e fisiologicamente ocorre uma diminuição progressiva na produção da testosterona, mas a princípio, o homem produz um pouco de testosterona e de espermatozóides até o fim da vida. A princípio, o homem é capaz de procriar até o fim da sua vida de maneira fisiológica, de maneira natural. É lógico que não é só a produção de espermatozóides que leva a uma fertilidade, você precisa ter a função erétil também funcionante para que possa ocorrer a penetração e a fecundação.
ALEX: Essa queda nos hormônios pode provocar o câncer de próstata?
Dr. RICARDO: Não. O câncer de próstata não se relaciona à queda na produção de testosterona. Ao contrário, o câncer de próstata é um câncer sensível à presença de testosterona, ou seja, quanto mais testosterona você tiver, mais chance de fazer crescer um câncer de próstata, tanto é que um dos tratamentos para o câncer de próstata é a oposição à presença da testosterona, seja através da orquiectomia, que é a retirada dos testículos para evitar que continuem produzindo a testosterona, ou através da utilização de medicamentos que se opõem à testosterona. Inclusive, o câncer de próstata é um dos cuidados que devemos ter quando fazemos a reposição de testosterona, ou a reposição hormonal.
ALEX: Quais são os principais sinais de que o homem está perdendo hormônio?
Dr. RICARDO: Talvez o principal sinal esteja relacionado à função sexual, a diminuição do desejo sexual, alguma dificuldade de ereção também. Existem outros sintomas que acompanham a diminuição de testosterona, que seriam a depressão, irritabilidade, insônia, perda de massa muscular (já que a testosterona associada a outros hormônios anabolizantes é responsável pelo crescimento e a manutenção da nossa massa muscular), a própria osteoporose que existe na mulher em função da diminuição do estrogênio também existe no homem com a diminuição da testosterona e quanto mais precocemente, mais intensa a perda de testosterona, mais osteoporose esse homem vai ter. Então são sintomas que se confundem com outras patologias que acompanham o homem da meia idade.
ALEX: O que o homem pode fazer para diminuir esses sintomas, ou evitar a andropausa?
Dr. RICARDO: Você percebe que insônia, depressão e irritabilidade são sintomas presentes durante a síndrome de diminuição da produção de testosterona. Você vê que esses são sintomas também que existem em outras circunstâncias, por exemplo, na síndrome de depressão, no estresse. Então a aquisição de mudanças de comportamento e hábitos de vida saudáveis relacionados à alimentação e as atividades físicas e a prevenção de hipertensão arterial, diabetes e obesidade, evitar o estresse, dormir bem são modificações que podem diminuir em muito os sintomas da diminuição da produção de testosterona. São todas medidas importantes a serem tomadas para não acelerar e para combater os sintomas que acompanham a andropausa.
ALEX: Quando o homem adota essas medidas e ainda assim, elas não são suficientes. O que esse homem deve fazer?
Dr. RICARDO: A partir dos 40 anos, o homem deve procurar um médico clínico, urologista ou mesmo geriatra, que vai ser o clínico que vai cuidar da vida dele. Dentro dessa avaliação clínica que deve ser feita a partir dos 40 anos, e dependendo da presença de sintomas, está indicada a dosagem de hormônios, entre eles, a dosagem de testosterona.
ALEX: Como é feita a reposição hormonal?
Dr. RICARDO: A reposição hormonal é feita com todo o cuidado necessário em relação aos possíveis efeitos colaterais e é feita utilizando-se testosterona. A testosterona pode ser utilizada na forma de comprimidos, injeções, gel para ser aplicada na pele e na forma de adesivos transdermicos que são colados na pele e liberam testosterona. Atualmente existe também a possibilidade de implantes de testosterona, da mesma forma que é feita a reposição hormonal feminina. A reposição hormonal deve ser feita sempre sob o cuidado e orientação médica. Isso porque é muito fácil conseguir testosterona (principalmente as injeções) em farmácias que vendem de maneira clandestina, da mesma forma que usam para venda de anabolizantes. Então na reposição hormonal de testosterona tem que ter cuidados específico porque ela pode ser perigosa quando utilizada em doses inadequadas ou de uma maneira inadvertida.
ALEX: Esse homem que necessita de uma reposição hormonal hoje. Ele vai necessitar para o resto da vida ou chega num ponto em que ele já está curado?
Dr. RICARDO: Não. Quando se fala de reposição hormonal, naturalmente o paciente vai ao consultório com a diminuição da testosterona e os sintomas da andropausa e ele tem que tentar tratar aqueles outros fatores que podem melhorar os sintomas da andropausa, que é a atividade física, dieta, combate à obesidade e outros. Então, o indivíduo tomando todas essas medidas pode até se recuperar e ficar sem os sintomas, mas a princípio, quando se faz reposição hormonal, essa reposição vai ser feita pelo resto da vida porque o testículo dificilmente vai recuperar a capacidade que ele tinha anteriormente de produzir a testosterona. Não é a mesma coisa, mas é semelhante à mulher, que depois da menopausa, se tiver sintomas, vai precisar da reposição hormonal para o resto da vida.
ALEX: O Receita de Saúde falou hoje sobre andropausa. Quem conversou conosco foi o doutor Ricardo Simas, que é geriatra em Florianópolis, doutor, muito obrigado pela sua participação aqui no nosso programa! E o programa Receita de Saúde fica por aqui. Voltaremos amanhã com mais um tema de saúde que vai interessar a você. Até lá! |