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ALEX: Muito bom dia! Estamos começando mais um programa Receita de Saúde, mas antes eu gostaria de agradecer a sua ligação para o 201-1177. Através desse telefone você ouve a programação da semana, fica sabendo o número do telefone dos entrevistados e também pode deixar a sua sugestão de tema. Além disso, você ainda concorre aos brindes que a Drogaria Catarinense oferece todas as semanas. Então é só participar: ligue 201-1177 e nos ajude a fazer o programa que você quer ouvir. O nosso tema de hoje é apendicite. Cerca de 7% da população vai desenvolver apendicite em alguma fase da vida. Por isso, é importante estar atento aos sintomas para que o diagnóstico seja rápido e preciso. Quem vai conversar conosco sobre esse assunto é o doutor Cícero Prado Sampaio, que é cirurgião geral e especialista em cirurgia do aparelho digestivo e trabalha em Joinville. Bom dia doutor! A apendicite é um problema que acontece no apêndice. É verdade que hoje o apêndice é um órgão sem função no nosso corpo?
Dr. CÍCERO: Isso. O apêndice é um resquício na formação do intestino. Ele é uma bolsinha e se instala no início do intestino grosso.
ALEX: Quais são as causas da apendicite?
Dr. CÍCERO: A apendicite se instala por um processo obstrutivo do apêndice. Esse processo obstrutivo pode acontecer por um resíduo alimentar sólido que chamamos de fecalito, ou seja, ele pode entrar na luz do apêndice e trancar o orifício de saída do apêndice ou esse processo pode acontecer por um tumor de apêndice, que pode causar obstrução, embora seja uma situação mais rara.
ALEX: Quer dizer que, quando esse resíduo entra no apêndice a tendência do apêndice é ir crescendo e causar a apendicite?
Dr. CÍCERO: É. O apêndice fica fechado e aquela secreção que ele produz normalmente fica retida ali dentro e aquilo é um caldo para o crescimento de bactérias. Essas bactérias começam a proliferar e inflamam o apêndice. Essa inflamação vai evoluindo e pode ocorrer até a necrose e perfuração do apêndice.
ALEX: A apendicite pode ocorrer em qualquer idade?
Dr. CÍCERO: Ela pode ocorrer em qualquer idade, mas existem idades preferenciais. O que a gente verifica estatisticamente é que o apêndice é mais comum dos 15 aos 50 anos de idade. Essa é a faixa etária onde ele ocorre com maior freqüência.
ALEX: O que uma pessoa com apendicite sente? A crise de apendicite dá uma dor muito forte?
Dr. CÍCERO: Os sintomas da apendicite são muito variáveis, mas existe um quadro clássico. Quando os sintomas são típicos, geralmente ele começa com uma dor na região do estômago ou região perio-umbilical. A dor começa leve nessa região e aos poucos, em algumas horas, ela vai se instalando no lado direito baixo.
ALEX: Vai dando uma dor tipo cólica?
Dr. CÍCERO: A dor não é parecida com a de cólica. Ela é uma dor contínua e vai progressivamente se tornando mais intensa. Isso ocorre entre 12 e 24 horas e ela vai se instalando e fica uma dor bem forte.
ALEX: De que lado do corpo? O apêndice fica do lado direito ou esquerdo?
Dr. CÍCERO: O apêndice fica no lado baixo à direita no abdômen, mas existem situações raras onde há uma inversão dos órgãos intra-abdominais. Então em uma situação excepcional o apêndice pode estar do lado esquerdo, mas aí, todos os órgãos do indivíduo vão estar invertidos.
ALEX: O diagnóstico da apendicite é difícil? É preciso fazer algum exame para se detectar esse problema?
Dr. CÍCERO: A apendicite nem sempre vem com todos os sintomas clássicos, então nem sempre o sintoma é evidente. Geralmente você pede um exame de sangue para identificar um quadro de infecção e o hemograma é um exame de sangue que pode dar uma informação de que se está ocorrendo uma infecção no organismo e isso pode afastar uma série de outras doenças que também podem dar dor nesse local. Então geralmente é feito o hemograma e um exame de urina para afastar a possibilidade de cálculo renal, que também é um diagnóstico diferencial de apendicite.
ALEX: Quer dizer que, se a pessoa sentiu uma forte dor do lado direito ela deve correr para o médico porque, caso ela não faça isso, o que pode vir a acontecer?
Dr. CÍCERO: A apendicite se não for diagnosticada em tempo hábil, ocorre a inflamação do apêndice de forma progressiva, pode ocorrer a necrose da parede do apêndice e uma perfuração. Com essa perfuração começa a cair fezes dentro da cavidade abdominal e isso vai gerar uma infecção grave chamada peritonite, e a cirurgia que poderia ser simples no caso da apendicite normal, pode virar uma cirurgia de grande porte com o paciente correndo até risco de morte.
ALEX: Quando a pessoa tem a apendicite, o apêndice pode estourar?
Dr. CÍCERO: Pode. O apêndice sofre o processo de infecção e essa infecção vai gerar uma necrose da parede dele e ele se rompe. Quando ele se rompe existe uma comunicação do intestino com a cavidade livre do abdômen e aí pode ocorrer o que a gente chama de peritonite.
ALEX: Neste caso é feita a cirurgia? Quanto tempo é a duração da cirurgia? Ela é complicada?
Dr. CÍCERO: A cirurgia do apêndice ou apendicectomia, que nós chamamos, ela pode ser feita de duas formas: existe a cirurgia clássica, que é a cirurgia aberta onde é feita uma pequena incisão na região da focilíaca direita. Uma incisão de mais ou menos quatro a cinco centímetros e por ali é retirado o apêndice e feita a limpeza do local se tiver alguma infecção. Ou então a cirurgia pode ser feita por videolaparoscopia, que é uma técnica mais moderna e consiste em incisões menores de meio a um centímetro e é usada uma câmera de vídeo e com ela o médico tem a visão de toda a cavidade abdominal, pode observar o apêndice e fazer a cirurgia e a limpeza da cavidade, se for necessária.
ALEX: O tratamento é apenas cirúrgico ou existe outro tipo de tratamento como remédios?
Dr. CÍCERO: Não. O tratamento é cirúrgico. Uma vez que você fez o diagnóstico de apendicite, ou mesmo, que exista uma forte suspeita de apendicite, está indicada a cirurgia. Às vezes pode ocorrer uma situação em que você não chega a um diagnóstico preciso, mas se existe uma forte suspeita de apendicite, está indicada a cirurgia.
ALEX: Se a apendicite não for tratada ela pode evoluir para outras doenças mais sérias?
Dr. CÍCERO: Pode evoluir. A apendicite se não for tratada, a tendência é que ela evolua para uma peritonite, que é uma infecção generalizada da cavidade abdominal. Às vezes o que pode ocorrer é que alças bloqueiam a infecção. Então muitas vezes a infecção começa e as alças intestinais bloqueiam e você não chega a ter a peritonite, mas pode ter um abscesso. Uma outra complicação é a formação de abscessos dentro da cavidade abdominal. Esses abscessos podem romper outros órgãos, alças de intestino. E uma outra complicação é a obstrução do intestino pelo próprio bloqueio das alças. As alças vão ali, bloqueiam a infecção e elas formam, às vezes, um cotovelo que ocasiona uma obstrução do intestino.
ALEX: Doutor, voltando a falar sobre a dor da apendicite. Ela é contínua ou a pessoa sente uma dor hoje e outra daqui a alguns dias?
Dr. CÍCERO: Não. A dor na apendicite quando ela se instala geralmente é moderada e na região da boca do estômago, que chamamos de epigástrica ou região peri-umbilical. Ela é uma dor contínua que vai se intensificando periodicamente.
ALEX: Até a pessoa chegar ao médico, até mesmo para fazer a cirurgia, quando ela está com essa dor intensa. O que ela deve fazer?
Dr. CÍCERO: O ideal é procurar um hospital o quanto antes. Nós sugerimos a não tomar analgésicos porque isso às vezes pode mascarar o exame físico - o primeiro exame que o médico faz quando o doente chega ao pronto-socorro – então se você tomar algum analgésico, chega na hora do exame a dor já está aliviada pelo efeito do medicamento e pode mascarar um quadro de apendicite.
ALEX: Depois da cirurgia, quais são os cuidados que a pessoa deve tomar?
Dr. CÍCERO: Normalmente no pós-operatório imediato, nós iniciamos o primeiro dia com uma alimentação mais leve e os cuidados de qualquer pós-operatório cirúrgico de não fazer esforço físico, de fazer um repouso relativo. É claro que o doente já pode se levantar no primeiro dia, mas não deve realizar esforços físicos maiores.
ALEX: Quer dizer que, como dissemos no início, o apêndice é um órgão totalmente ineficiente, depois que a pessoa faz a cirurgia ela não tem restrição alguma durante a vida?
Dr. CÍCERO: Não. A vida passa a ser normal já que o apêndice não vai fazer falta nenhuma. Pelo contrário, ele é um problema a menos que a pessoa potencialmente teria.
ALEX: O Receita de Saúde falou hoje sobre apendicite. Quem conversou conosco foi o doutor Cícero Prado Sampaio, que é cirurgião geral e especialista em cirurgia do aparelho digestivo. Doutor Cícero, muito obrigado pela sua participação aqui no nosso programa. E o programa Receita de Saúde fica por aqui. Voltaremos amanhã com mais um tema de saúde que vai interessar a você. Até lá! |