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ALEX: O Receita de Saúde hoje vai falar sobre anestesia. Basta um médico indicar a necessidade de cirurgia para que o paciente comece a se preocupar. Muitas pessoas ficam inseguras só de pensar na anestesia. Apesar de utilizar medicamentos cada vez mais avançados, ainda hoje a anestesia é vista por alguns como um procedimento arriscado. Para diminuir essa insegurança e esclarecer todas as nossas dúvidas sobre esse assunto, convidamos o doutor Jurandir Turazzi, que é anestesiologista e coordenador do Serviço de Anestesiologia de Joinville. Doutor, bom dia! Explique para a gente o que exatamente é uma anestesia?
Dr. JURANDIR: A anestesia é definida como a completa ausência de percepção da dor. Isso é o que se objetiva numa anestesia – que o paciente não tenha a percepção da dor.
ALEX: Em quais casos a anestesia deve ser usada?
Dr. JURANDIR: A anestesia normalmente é usada quando vai se realizar um procedimento em que se prevê que o paciente vai ter dor. Seja ela anestesia local ou anestesia geral. Também existem situações onde não se tem a previsão de dor, como por exemplo, num exame de ressonância magnética tem alguns pacientes que não suportam ficar trancados no aparelho que vai ser realizado, ou seja, são pessoas que têm claustrofobia e nesses casos nós somos chamados para fazer uma anestesia para que o paciente possa suportar. Ou criança, por exemplo, que vai fazer um exame e não pára na mesa de exame.
ALEX: Por que é comum as pessoas terem um certo medo da anestesia?
Dr. JURANDIR: Não se tem definido o por quê do medo final, mas algumas coisas causam uma certa apreensão. O fato de você não ser anestesiado todos os dias, então é aquele famoso medo do desconhecido, daquilo que você não sabe como vai ser ou como vai acontecer. Outro é porque a anestesia é um procedimento de alta complexidade e podem acontecer problemas durante uma anestesia, como já aconteceu no passado e ainda em situações muito raras ocorre. A pessoa tem medo de sentir dor, tem medo de acordar durante o procedimento e aí sentir dor, então são várias coisas que fazem com que você tenha medo de uma anestesia.
ALEX: É verdade que em alguns hospitais são realizadas consultas pré anestésicas?
Dr. JURANDIR: Joinville foi a primeira cidade a realizar a consulta pré anestésica em consultório e, isso há mais de 20 anos. Hoje nós temos praticamente todos os convênios médicos e também o SUS (Sistema Único de Saúde) remuneram as consultas pré anestésicas na maioria das cidades do Brasil, que é um grande benefício tanto para o anestesiologista quanto para o paciente em termos de segurança porque o anestesista vai poder avaliar a sua condição clínica previamente à cirurgia, com maior tranqüilidade e a margem de esquecimento do paciente falar que usa alguma medicação que pode ter interferência com a anestesia ou que ele tem alergia a alguma medicação, quando a avaliação é feita com antecedência a chance de isso não ser detectado na consulta é menor do que se a avaliação é feita imediatamente antes do ato anestésico propriamente dito.
ALEX: Como funcionam essas consultas?
Dr. JURANDIR: Nós fazemos uma história clínica do paciente mais direcionada para aquilo que interessa ao anestesiologista como a história de doença cardiológica, pulmonar ou de outras alterações do sistema nervoso ou do fígado. E também direcionamos para a presença ou não de alergias ou problemas que possam ter ocorrido durante uma anestesia anterior. Depois de feita toda a avaliação da história do paciente é feito um exame físico mais direcionado para o sistema cardiovascular e sistema respiratório, o anestesiologista anota isso na ficha, entrega para o paciente essa ficha que ele vai levar para o hospital no dia da sua cirurgia. Na oportunidade da consulta pré anestésica ele assina um termo de consentimento onde ele autoriza a equipe anestésica à realização do ato anestésico.
ALEX: Doutor, quanto tempo em média, uma pessoa fica anestesiada?
Dr. JURANDIR: Ela fica anestesiada geralmente o tempo necessário para a cirurgia quando é uma anestesia geral. Quando ela é submetida a uma anestesia geral quando o procedimento cirúrgico dura uma hora, ela fica em torno de uma hora e 15, uma hora e 20 anestesiada. Quando é feito uma anestesia chamada regional, por exemplo, uma peridural, ela dura em média de quatro a seis horas. Então se a cirurgia dura uma hora, ela fica na sala de recuperação, anestesiada em torno de mais três, quatro ou cinco horas.
ALEX: Há risco em uma anestesia? E se há, quais são esses riscos?
Dr. JURANDIR: Existe risco. A anestesia tem riscos e são inúmeras as complicações que podem ocorrer, seja pela própria condição do paciente, seja por interação das medicações que são usadas e a condição do paciente, seja por medicações que o paciente já usa e se interagem com as medicações anestésicas, seja por reação alérgica a um determinado produto ou a uma determinada medicação anestésica. Então existe um número muito grande de problemas que podem acontecer numa anestesia. Só que o nível de segurança que se atingiu hoje é muito grande, então, para você ter uma complicação séria durante uma anestesia hoje é muito difícil. Só para quantificar, em Joinville, nós fazemos mais de três mil anestesias por mês e isso dá em torno de 40 mil procedimentos anestésicos por ano e você veja que é muito raro, muito raro mesmo, você ter notícia de alguma complicação séria ou dano sério relacionado a anestesia, mostrando realmente, que hoje nós temos muita segurança.
ALEX: Durante a cirurgia, o anestesista pode sair da sala?
Dr. JURANDIR: A Resolução n.º 1363, de 1993, do Conselho Federal de Medicina diz que para que o anestesiologista possa dar total segurança ao paciente, ele deve permanecer continuamente ao lado do seu paciente.
ALEX: O paciente pode escolher o tipo de anestesia que vai receber?
Dr. JURANDIR: Ele poderia, mas não é a pessoa mais indicada para decidir qual o tipo de anestesia, mas às vezes, acontece. Tem paciente que, por exemplo, vai ser submetida a uma cesariana e diz que gostaria de receber uma peridural. Se não tem nenhuma contra-indicação e se para o anestesista não há nenhum impedimento naquele momento de ser feita a anestesia peridural, a gente procura atender essa solicitação da paciente.
ALEX: Como é feito o controle do paciente pelo anestesista?
Dr. JURANDIR: São sinais clínicos do paciente que o anestesiologista monitora durante todo o tempo. Então ele verifica constantemente a pressão arterial, os batimentos cardíacos, o eletrocardiograma, a quantidade de oxigênio no sangue, o gás carbônico espirado, a mão do anestesista no pulso do paciente para quantificar se aquele pulso está normal. Hoje inclusive nós temos eletroencefalograma micro processado que a gente também avalia a intensidade do sono que o paciente está durante uma anestesia geral.
ALEX: Como o paciente deve se preparar para uma anestesia?
Dr. JURANDIR: As orientações que se dá para quem for submetido a uma anestesia: se for fumante e conseguir parar de fumar em torno de umas três semanas antes de um procedimento cirúrgico, isso ajuda bastante. Se interrompeu o hábito de fumar três ou quatro dias antes do procedimento anestésico não muda praticamente nada na evolução. A gente orienta também em relação ao jejum. No paciente adulto se necessita que fique oito horas sem alimentação para que se tenha uma segurança maior. Orienta-se também que na véspera da cirurgia, ele não faça nenhuma refeição muito pesada, não se deve comer uma feijoada na véspera, para evitar que se tenha muito conteúdo residual no estômago. Se pede que se for beber, que beba pouco e não de forma exagerada e de preferência, se puder nem beber.
ALEX: Qual é a sensação depois da anestesia?
Dr. JURANDIR: Depois de uma anestesia, o paciente sente uma sensação de alívio muito grande porque como ele chegou com medo, sai aliviado depois que acaba o procedimento. Então essa é a sensação mais comum. A cada dia que passa, com o advento dessas novas medicações, os efeitos colaterais têm diminuído muito. Então o que era muito comum do paciente sentir tremores intensos no corpo no pós-operatório, de ter enjôo, vômito e tontura forte, que eram os efeitos colaterais mais comuns depois de uma anestesia, isso vem diminuindo muito. Então a gente tem conseguido fazer com que no pós-operatório imediato haja um conforto muito grande. Uma das coisas que evoluiu muito é o tratamento da dor aguda pós-operatória e que nós utilizamos equipamentos como bomba de infusão para que o próprio paciente faça o controle da sua dor. A gente programa a bomba de infusão com um analgésico potente e ela dá uma quantidade mínima contínua e quando o paciente sente mais dor, ele tem condições de dar mais analgésico naquele período ali, fazendo esse controle.
ALEX: O Receita de Saúde falou hoje sobre anestesia. Quem conversou conosco foi o doutor Jurandir Turazzi que é anestesiologista e coordenador do Serviço de Anestesiologia de Joinville. Doutor, muito obrigado pela sua participação aqui no nosso programa! E o programa Receita de Saúde fica por aqui. Voltaremos amanhã com mais um tema de saúde que vai interessar a você. Até lá! |